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terça-feira, 1 de setembro de 2015

Direitos humanos é debatido em formação profissional do Programa Primeiro Passo

Na Associação Lusa Futebol Clube Metropolitana, no bairro Nova Metrópole, em Caucaia, está acontecendo a formação de jovens no curso de administração promovido pelo Programa Primeiro Passo. São vinte jovens, dez moças e dez rapazes que durante três meses vão adquirir conhecimentos técnicos para suas inserções no mercado de trabalho.
Segundo o vice-presidente da associação, Ailton Santos, é importante valorizar essa ação fundamental de formação. “Quando eu era mais jovem, a gente não tinha a oportunidade de fazer cursos ofertados gratuitamente e no nosso bairro”.

O instrutor Francisco Simões debate com alunas e alunos
sobre diversas formas de preconceito.
As formações do Programa Primeiro Passo não são apenas técnicas. O diferencial é que, já no primeiro módulo, a juventude recebe aulas de cidadania e direitos humanos, onde são debatidos temas como machismo, gênero, racismo e violação de direitos. As metodologias aplicadas nesse momento trazem uma atmosfera de descontração, com apresentação de vídeos temáticos, rodas de conversas, apresentações teatrais e distribuição de materiais informativos e textos. A música também se faz presente, como forma de reflexão de temas atuais. Na aula da última quarta (26), os alunos e alunas dividiram-se em dois grupos e encenaram programas de rádio onde notícias foram apresentadas e as pessoas ouvintes ligavam para as rádios para opinar sobre os fatos. Foram vários depoimentos questionando o poder da mídia em “distorcer” os fatos promovendo o preconceito.
Danrlei (segundo à direita) apresentando o programa de rádio.



O jovem participante do curso, Danrlei Oliveira disse que “a democracia não pode ser confundida com dizer o que se quer sem medir as consequências. O que a gente vê hoje é que as pessoas ficam agredindo as outras sem saber direito o que está acontecendo. Protestar é importante, mas tem que saber respeitar”, argumentou.





Fique sabendo – O Programa Primeiro Passo é uma ação voltada para a formação de jovens, ofertado pelo Governo do Estado do Ceará, através da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social – STDS, e a Obas é a instituição executora.


Ricardo Wagner – Comunicador popular pela Obas







Carta dos Povos do Vale do Jaguaribe



FÓRUM DE CONVIVÊNCIA COM O SEMIÁRIDO DO VALE DO JAGUARIBE - FCSAVJ
Carta dos Povos do Vale do Jaguaribe
“A maneira de ajudar os outros é provar-lhes que eles são capazes de pensar.”

O Fórum de Convivência com o Semiárido do Vale do Jaguaribe instancia microrregional do Fórum Cearense pela Vida no Semiárido e Articulação do Semiárido Brasileiro - ASA, reunido no último dia 11 de junho de 2015, na sede do Sindicato de Trabalhadores (as) Rurais de Limoeiro do Norte, debateu com bastante profundidade a grave situação de estiagem nos municípios do Vale do Jaguaribe.
Por ironia do destino ou da ausência de políticas adequadas para convivência com o semiárido Jaguaribano, chegou-se a uma grave constatação: o Vale do Jaguaribe está seco! Mas como pode? O berço do açude do Castanhão, dos perímetros irrigados, região cortado pelo rio Jaguaribe, vale fértil e de grande produção.
Cerca de 50 representações do Fórum, membros dos Sindicatos, ONGs, Associações Comunitárias, Pastorais Sociais, Secretarias Municipais de Agricultura, Movimentos Sociais, denunciaram a grave situação de estiagem na região, a maioria dos municípios encontrasse em estado de alerta em relação ao abastecimento humano, como não houve recarga dos reservatórios, muitos municípios entrarão em colapso em poucos meses; A perda de safra já se configura com bastante clareza, o milho em sua totalidade e feijão com percentuais acima de 80%; o quadro é semelhante para estoque de forragem e dessedentação animal, já se estima que não haja água para os rebanhos nos próximos dois meses.

“Ai daqueles que pararem com sua capacidade de sonhar, de invejar sua coragem de anunciar e denunciar. Ai daqueles que, em lugar de visitar de vez em quando o amanha pelo profundo engajamento com o hoje, com o aqui e o agora, se atrelarem a um passado de exploração e de rotina.”

Um conjunto de proposições foi debatido e será apresentado neste documento como forma de subsidiar a tomada de decisão, de maneira também, que estas ações possam ser realizadas, a partir do olhar da coletividade, com base no exercido pleno do controle social das políticas públicas.
Estas propostas representam à visão da sociedade civil organizada, dos movimentos sociais, sindical, pastorais sociais, organizações comunitárias e que devem ser avaliadas do ponto de vista técnico/cientifico, para melhor adequação a realidade da região do Vale do Jaguaribe.
O conjunto de proposta se apresenta de duas formas complementares e atuais: ações urgentes/emergências e ações estruturantes. Vale salientar que estas ações têm a mesma ordem de prioridade e devem caminhar conjuntamente.

Propostas de ações urgentes/emergências:
·                    Instalação imediata de mesa de negociação com o Governo do Estado do Ceará para debate sobre a gestão da água do aqüífero Jandaíra e açude Castanhão, com prioridade para abastecimento humano;
·                    Reavaliação da política de distribuição da água, com aumento do número de carros da operação carro pipa e inspeção qualitativa da água fornecida;
·                    Programa do Milho - Solicitar da Conab que o milho chegue com preço acessível subsidiado pelo governo, visando à melhoria de condições de sustentação dos rebanhos;
·                    Em relação à perfuração de Poços Profundos, sugeri-se a recuperação e instalação dos poços existentes e que os novos poços tenham rigorosos procedimentos técnicos, evitando assim, a subutilização ou não aproveitamento destes equipamentos nas comunidades;
·                    Utilização das maquinas do PAC, em atendimento aos agricultores com escavação de novos açudes, barragens e consertos de açudes destruídos;
·                    Abastecimento das cisternas nas comunidades.

Propostas de ações estruturantes:
·                    Solicitação de abertura de novas vagas de cadastros do programa Garantia Safra nos municípios do Vale do Jaguaribe;
·                    Continuação dos programas de cisternas de 1ª e 2ª água na região;
·                    Construção participativa da política de controle da água do aqüífero da chapada do Apodi com a participação prioritariamente dos agricultores (as) impactados pelo esgotamento dos poços
·                    Ampliação do atendimento do programa Bolsa estiagem, especialmente nesta situação de seca atual;
·                    Estabelecimento de projetos de conservação e recuperação dos açudes e implantação de Barragens subterrâneas;
·                    Implantação de um instancia de debate permanente, com a participação efetiva de representantes do governo do estado (órgãos e Secretarias de Estado) e da sociedade civil sobre a carcinicultura na região e o uso da água na região
·                    Execução de projetos ATER - Assistência técnica e extensão Rural na região do Jaguaribe;
·                    Criação de Projetos de Energia Solar para as comunidades da zona rural, acima de 50 famílias (com a finalidade de diminuir os gastos com a produção de energia elétrica e obter os mesmos serviços com energia solar) para quintal produtivo, mandalas, eletrobombas, forrageiras e uso doméstico.
·                    Acompanhamento e orientação a retirada de areia do leito do rio Jaguaribe e afluentes.

Neste sentido, nós que fazemos o Fórum de Convivência com o Semiárido do Vale do Jaguaribe conclamamos nosso povo, representantes da sociedade civil, representantes dos poderes públicos: Municipal, Estadual e Federal a debater conosco sobre a gravidade da estiagem na região, bem como, estabelecer os encaminhamentos necessários e urgentes para mitigação e/ou solução da ocorrência.

Russas, 24 de julho de 2015.
Coordenação Colegiada do FCSAVJ
Organização Barreira Amigos Solidários – OBAS                               
STTR – Russas
STTR – Pereiro                                
 CONTACTE:                           
 STTR – Limoeiro do Norte.


Anexo: Dados preliminares de informações dos representantes dos municípios:
Nº
Município
Pluviometria (ano em curso)
Condições de reservatórios
Estimativa de produção agrícola
1
Itaiçaba
 631 mm
Abaixo da média
Perda total do milho,
Baixa produção de caju e feijão
2
Limoeiro do Norte
340,6 mm (jun/2015)
Água para consumo humano só possui níveis adequados até outubro de 2015.
Água para consumo animal, até agosto de 2015. 
Perdas de 80% da safra de feijão e de 100% da safra de milho.
Condições de pastagens até setembro de 2015.
3
Russas
459 mm (jun/2015)
Os poços profundos estão secos e sem vazão. O açude Santo Antonio, está com apenas 1,24% de sua capacidade, um nível bem abaixo da média.
Previsão de perda de produção agrícola na ordem de 92%.
4
Quixeré
350 mm (jun/2015)
Não houve acumulo de água nos reservatórios do município.
Perda da produção com percentuais de 92%.
5
Alto Santo
297 mm (até jun/2015)
Como não houve acumulação de água o município. Os representantes sugerem a utilização de carros pipas, com coleta de água na barragem do Rio Figueiredo.
Produção agrícola.
Houve perda de safra de feijão na ordem de 80%.
Em relação à produção do milho, a perda alcançar 100%.
6
Palhano,

250 mm
Previsão de água armazenada dure apenas até o mês de julho 2015.
A produção de feijão foi de 20% e a de mandioca foi de 40%. O milho teve perda total.
7
Jaguaruana,
379 mm.
A Prefeitura decretou estado de calamidade pública no município, com quantidade de chuvas de apenas 280 mm.
Mesmo com a conquista da perfuração de 13 poços no município, faz necessários mais outros poços.
A perda de feijão foi em torno de 95%, de 90% do Feijão e 60% da mandioca.
8
 Jaguaribe
Média de chuvas do município foi de 260 mm.
Reservatórios de água com 10% de sua capacidade.

Perda de safra de feijão na ordem de 80% e de milho na ordem de 90%.
9
Morada Nova
Chuvas com 60% abaixo da média
Não houve recarga dos reservatórios e a situação do município é de calamidade pública. O Açude do Banabuiú, principal reservatório de abastecimento do município, entrou em colapso e encontra-se totalmente seco. Pequena parte do município tem abastecimento pelo canal da integração 
Perda de 70% na produção de feijão e 100 %.
A perda do suporte forrageiro cultivado e nativo alcançou 80% ao
10
Potiretama
296 mm
Todos os açudes estão secos, e em média a cisternas possuem 6% de sua capacidade de água.
Cidade abastecida por adutora emergencial da Barragem do Figueiredo, sem análise de água.
As comunidades em geral são abastecidas por carro pipa. Há estado de calamidade pública.
Perda de 95% na produção de feijão e 100% nas demais culturas do município. Constata-se também morte dos cajueiros.
11
Iracema
498 ml
Os açudes não acumularam água e estão secos ou com baixa capacidade. A sede do município está em racionamento à espera de uma adutora emergencial, provavelmente vinda de Tabuleiro do Norte. As comunidades estão abastecidas por carros pipas e as cisternas apresentam a cerca de 10% de sua capacidade. 

12
Pereiro
496 mm (jan a jun/2015)
Situação de emergência, pois não houve recarga dos reservatórios, as comunidades já estão atendidas pelo carro pipa.  A situação é melhor nas comunidades onde foram atendidas pelo projeto de cisternas, pois as mesmas encheram.  
Perda estimada acima de 80% para todas as culturas
13
São João do Jaguaribe
333,8 mm
O abastecimento do município é feito através do rio Jaguaribe e uso de carro pipa.
Como há produção irrigada, as perdas são da ordem de 20% de feijão e 3% na produção do milho. A maior parte da produção do milho é irrigada.
14
Aracati
670 mm

Abastecimento feito com carro pipa
A situação tem se configurado com perda da safra.
22
Beberibe
713 mm
Dificuldades no abastecimento e programa de cisternas em andamento no município. 
Perdas de Feijão -66,11%, Mandioca - 40,19% e Milho -79,42%. Com média de perda no município - 53,45%
16
Icapuí
593 mm


15
Ibicuitinga


Dados não informados

17
Erere

Dados não informados

18
Tabuleiro do Norte

Dados não informados

19
Jaguaribara

Dados não informados

20
Jaguaretama

Dados não informados

21
Fortim

Dados não informados



segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Feira é lugar pra ser feliz

O sol nasce e com ele desponta a energia de agricultoras e agricultores que saem de suas comunidades para participar da Feira Agroecológica de Pereiro. Essa rotina acontece a cerca de um mês, sempre às segundas-feiras. Mas assim como a terra precisa ser bem preparada, a feira já começa a dar bons frutos. São sete agricultoras e dez agricultores que produzem em seus roçados e quintais o feijão, o milho, a alface, o maracujá, a batata doce, o pimentão, a couve, a pimenta, a cebolinha, o coentro... A lista é extensa e o sorriso é o item comum em todas as barracas.

Cláudia Lopes e seu filho, com os alimentos produzidos em seu roçado.



A explicação para tanta alegria é simples. A agricultora Cláudia Lopes, que mora na comunidade Sítio Carrapicho, a nove léguas da sede do município, nos disse que a coragem pra trabalhar não falta pra ninguém ali. “A gente se sente valorizada, pois os produtos que a gente traz, o povo compra sem medo. A gente não quer nem saber de usar veneno”. Ela mora com o marido e seis filhos e em sua pequena propriedade, Cláudia planta feijão, macaxeira, pimentão, batata doce e feijão. Ela cria galinhas e capote, mas como está trazendo sua produção de moto, preferiu não trazer dessa vez: “Já tem umas amigas trazendo ovos e frango. Então é bom a gente trazer produtos diferentes pra dar opção pras clientes. Eu ainda faço colorau e trago vassoura de palha que a minha vizinha fabrica”, contou.
Além desses produtos, estão à venda também o caldo de cana, o bolo de milho, a tapioca, o queijo, os doces e xaropes.

Outra que está muito sorridente é a dona Lúcia: “Hoje a feira trouxe também os amigos pra gente trocar risadas, matar a saudade... Feira não é só pra gente comprar e vender. É pra gente trocar lições de vida, brincar, ser feliz!”.

  A Feira Agroecológica é um projeto de parceria entre o PPP-Ecos e Obas, contando com o apoio da comissão municipal, do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais e da Prefeitura Municipal de Pereiro, e acontece todas as segundas na praça da Igreja Matriz de Pereiro.


Ricardo Wagner – Comunicador popular pela Obas







sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Projeto Primeiro Passo inicia capacitação profissional para jovens do Centro Educacional Dom Bosco

Na última terça (18), o Centro Educacional Dom Bosco, em Fortaleza, esteve repleto de sorrisos de esperança. É que teve início o Primeiro Passo – Programa de formação profissionalizante para jovens e que naquela unidade capacitará 15 adolescentes e jovens com o curso de bombeiro hidráulico.
O projeto é uma parceria da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social – STDS e várias organizações, tendo a Obas como executora. Durante três meses, esses jovens participarão da formação, que além das aulas específicas profissionalizantes, também tratam de temas como cidadania e direitos humanos, relações de gênero e juventude.
A aula inaugural contou com a presença de familiares dos jovens, do secretário da STDS – Josbertini Virgílio Clementino, da coordenadora de Proteção Social Especial – Mariana Abreu, da coordenadora do Projeto Primeiro Passo – Roberta Arraes, do articulador do Projeto Transformando Vidas – Fran Beno Gadelha, da diretora do Centro Educacional Dom Bosco – Dra. Paula Castelana, além de profissionais da saúde e da educação, agentes e equipe da Obas.

Promovendo cidadania e garantindo direitos – Segundo o secretário da STDS - Josbertini Virgílio, “é importante ofertar cursos profissionalizantes dentro dos centros educacionais na perspectiva da garantia dos direitos da juventude, que já é muito privada desses direitos, e é responsabilidade do Estado garantir a educação e cidadania”.

Com muito entusiasmo, a coordenadora do Projeto Primeiro Passo, Roberta Arraes disse que “é preciso minimizar a dívida social que temos com a juventude através de processos educacionais transformadores”.

Saber das dificuldades que a juventude passa não é nenhuma novidade, principalmente daqueles que por algum motivo estão cumprindo medidas socioeducativas. Mas é preciso reconhecer que há olhares e ações possibilitando mudanças significativas para o futuro desses jovens. Como disse a coordenadora de proteção social especial – Mariana Abreu, “a interlocução das ações são fundamentais para garantir tanto a qualidade do ensino e do aprendizado como despertar o interesse dos jovens em dar continuidade aos seus processos de formação”.

As falas se completavam através da vontade de disponibilizar aos jovens todo o encorajamento de que se faz necessário para superar um momento bastante delicado em suas vidas. E assim a diretora do Centro Educacional Dom Bosco – Dra. Paula Castelana, fez questão de demonstrar todo o seu empenho em garantir a qualidade da educação desses jovens.

Circular os olhos pelo ambiente e ver as famílias erguendo seus rostos com a expressão de acreditar que dias melhores virão é acreditar que o primeiro passo foi dado.


*      Ricardo Wagner – Comunicador popular pela Obas