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sexta-feira, 21 de março de 2025

BANNER - CISTERNA CONSTRUÍDA. PROMESSA CUMPRIDA


 

BANNER - MIKAELE E A FORÇA DA MULHER QUE TEM ORGULHO DE SI MESMA


 

CANDEEIRO 2634 - MÃOS QUE TRANSFORMAM O SEMIÁRIDO







 

CANDEEIRO 2632 - MOBILIZAÇÃO É A FORÇA DA COMUNIDADE




 

CANDEEIRO 2631 EXISTÊNCIA, RESISTÊNCIA E MUITO AMOR NO SEMIÁRIDO



 







CANDEEIRO 2633 - SONHOS QUE SE REALIZAM COM POLÍTICAS PÚBLICAS


 



CANDEEIRO 2628 - QUANDO O SOL É O PRINCIPAL DESAFIO: A LIDA DE AGRICULTORES COM ALBINISMO

 


CANDEEIRO JAMILLY E A JUVENTUDE QUE ENCHE OS OLHOS DE ALEGRIA NO SEMIÁRIDO










 

Águas e Mudanças climáticas: como isso nos afeta.

Matheus Lima – Eng. Agrônomo, Mestre em Agronomia e Técnico de Campo da Obas 

Ricardo Wagner – Comunicador Popular pela Obas

 

Faz tempo que se fala em mudanças climáticas e isso sempre pareceu algo que demoraria a acontecer. O fato é que essas mudanças já começaram. E vem afetando todo o planeta. Todo mundo vai sentir os impactos de uma forma ou de outra. A maioria da população terá dificuldades de acesso à água bem mais rápido e também de forma mais brutal. Segundo a ONU – Organização das Nações Unidas, as causas são diversas. Por exemplo, para se produzir cimento, ferro, aço, plástico, confecções, produtos eletrônicos entre outros materiais, muitas indústrias usam equipamentos movidos a carvão, petróleo ou gás, liberando fumaças e gases como o dióxido de carbono e o óxido nitroso. Esses gases ficam na atmosfera, retendo o calor do sol e vai aquecendo a Terra. Isso a gente chama de Efeito Estufa.

Mas há outros fatores que potencializam as mudanças climáticas. Vamos conhecer alguns.

Transporte - Os combustíveis fósseis estão nos carros, aviões, caminhões e navios, emitindo quase um quarto de dióxido de carbono. E como a gasolina vem do petróleo, os veículos são a maior parte dessa emissão.

Desmatamento - Nossas florestas estão dando lugar a fazendas e pastos. Quando as árvores são cortadas, elas liberam o carbono que estavam armazenando direto para a atmosfera. São mais de 12 milhões de hectares de florestas destruídos por ano no mundo! O avanço do agronegócio sobre áreas de floresta nativa e outros biomas tem causado o desmatamento, a perda de biodiversidade e a extinção de espécies.

Secas e enchentes: tudo ao mesmo tempo agora! Com o aumento das temperaturas, o acesso à água torna-se menor. A escassez de água em algumas regiões e as enchentes em outras, mostram o desequilíbrio ambiental que nosso ecossistema vem passando. A seca na Amazônia é um grande exemplo disso. Quem imaginaria que aquela imensidão de rio pudesse passar por uma situação dessas?

Desde os anos 1980 que a temperatura vem aumentando a cada ano. De 2011 aos dias de hoje, foram os anos mais quentes já registrados. O calor dificulta os trabalhos ao ar livre de agricultores e agricultoras, pedreiros/as, pescadores/as, entre tantos outros. Queimadas e incêndios têm se espalhado mais rápido e além dos prejuízos com plantações, florestas e casas, as pessoas adoecem por conta da fumaça e muitas perdem a vida. A falta de mata ciliar, causa assoreamento dos rios. Muitos ficam secos por anos seguidos. A escassez de água afeta tanto a agricultura quanto as pessoas. De 2010 a 2019, cerca de 23 milhões de pessoas do mundo todo abandonaram suas casas por causa da falta d’água. Isso gera impactos enormes, evidenciando o grande número de refugiados em países onde as pessoas estão mais vulneráveis e aumentando a pobreza pelo mundo. Os períodos de seca e de desertificação vem aumentando e as áreas de cultivo diminuindo. As queimadas e a desertificação têm expulsado animais de seus territórios, causando desequilíbrio, pela falta de predadores naturais e muitas vezes transmitindo doenças até então desconhecidas. O que se sabe é que as mudanças climáticas ameaçam a sobrevivência de todos os seres vivos do planeta! Na próxima década, mais de um milhão de espécies correm o risco de sumir do mapa.

Enquanto isso, a fome e a subnutrição vêm aumentando em lugares onde as pessoas não conseguem produzir seus alimentos, afetando a cada ano cerca de 13 milhões de pessoas.

E nossas águas? As tempestades têm sido comuns em lugares onde nunca existiam. Os furacões e tufões se fortalecem com o aquecimento dos oceanos, destruindo tudo o que veem pela frente. O derretimento das geleiras e o lixo, óleos e produtos químicos que vão para os mares tem deixado as águas mais ácidas, aumentando o risco de espécies marítimas desaparecerem, afetando a alimentação de milhões de pessoas.

E pra completar, o agronegócio utiliza muita água para irrigação, contribuindo para a crise hídrica em diversas regiões do planeta, especialmente no Semiárido.

O clima afeta diretamente as populações mais pobres, principalmente nas periferias, favelas, comunidades rurais e em lugares onde não tem saneamento básico. Basta observar quando acontecem as enchentes e alagamentos, destruindo casas, lavouras, represas e outras estruturas.

Todas essas questões aliadas à maneira excessiva que consumimos, como nos locomovemos, como nos alimentamos e quanto lixo produzimos, contribuem para os gases emitidos para o efeito estufa. Será que precisamos mesmo de uma roupa nova a cada semana, utilizar tanta sacola plástica, trocar nossos celulares por um modelo novo a cada ano? O nosso modo de viver atua diretamente em todas essas questões, sendo que as pessoas mais ricas são responsáveis por mais emissões de gases do efeito estufa do que os 50% das pessoas mais pobres.

O Agro não é pop - A produção de alimentos é  tema central no debate sobre o futuro do planeta. O agronegócio e sua produção em larga escala de monoculturas de milho e soja, tem sido apontado como um dos principais responsáveis pela crise climática e tem relação direta com o aumento da fome e da subnutrição, que chamamos de insegurança alimentar. Esse tipo de agricultura responde por um quarto das emissões globais de gases como o metano e o dióxido de carbono, através do desmatamento, queimadas, uso de agrotóxicos e fertilizantes nitrogenados. O uso intensivo de agrotóxicos na produção de alimentos causa a contaminação do solo, da água, dos alimentos e do ar, com graves consequências para a saúde humana e para o meio ambiente. Além disso, o agronegócio gera grande desperdício de alimentos seja por perdas na colheita, no transporte ou no consumo.

Mas existe a Agricultura Familiar, que envereda por outros caminhos. É importante afirmar que a Agricultura Familiar é responsável por alimentar 80% da população mundial! Esse modelo de produção de alimentos é uma alternativa sustentável e socialmente justa, pois respeita e valoriza os ciclos da produção, os cultivos locais, a não utilização de agrotóxicos, as diferentes espécies de plantas e animais, contribuindo para a segurança alimentar e nutricional das famílias e comunidades. Práticas agrícolas adaptadas às condições de cada região, e o manejo integrado de pragas, contribuem para a preservação do solo, da água e da biodiversidade.  Os conhecimentos tradicionais e a cultura local também são muito valorizados, transmitidos de geração em geração. Desse modo, a agricultura familiar gera emprego e renda, visibiliza e valoriza o trabalho das mulheres, e promove a permanência de agricultoras e agricultores no campo para o desenvolvimento das comunidades. A essas práticas chamamos de Agroecologia.

Entre os desafios, estão o acesso a crédito, assistência técnica e mercados, além da pressão do agronegócio, que busca monopolizar a produção de alimentos. Para garantir a segurança alimentar e nutricional da população e proteger o meio ambiente, é fundamental fortalecer a agricultura familiar, por meio de políticas públicas que incentivem a produção sustentável, a Agroecologia, a criação de cooperativas e associações de produtores, a assistência técnica e a abertura de mercados para os produtos da agricultura familiar.

A sociedade precisa escolher entre o agronegócio, que concentra a produção de alimentos nas mãos de grandes empresas e causa graves impactos socioambientais, e a Agricultura Familiar, que valoriza a diversidade, a sustentabilidade e a justiça social.

É preciso ouvir a ciência, os saberes populares, os povos originários e rever nossos modos de conviver com a natureza. Programas sociais como as cisternas de placas (de água para beber, produzir alimentos e para escolas), casas de sementes e transição agroecológica são comprovadamente soluções de convivência com o semiárido. Mas elas sozinhas podem ser engolidas ou fragilizadas pela ganância que alimenta o capitalismo e o agronegócio. Os povos do campo, das florestas, das águas e das cidades precisam unir forças para confrontar o modelo destruidor de vidas. De que lado você está?

 

 

 

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Comunidades de Aracati participam de Intercâmbio do P1+2 na Ibiapaba


"Eu me sinto uma semente com todo esse aprendizado, 
desde o começo".  
Irenice - agricultora - Aroeiras/Aracati - CE

Chico Antonio acolhendo participantes do intercâmbio do P1+2


Durante os dias 23 a 25 de julho, agricultoras e agricultores do município de Aracati e técnicas/os da Obas puderam vivenciar diferentes aspectos da Agroecologia, no intercâmbio em Viçosa do Ceará e Tianguá, proporcionados pelo P1+2 - Programa Uma Terra e Duas Águas, em que são construídas cisternas de captação de água para produção de alimentos.


Jorge Pinto - coordenação da Obas, fala sobre as organizações populares e agroecologia

Chico Antonio nos recebeu no Recanto Beija-flor, seu sítio localizado em Viçosa do Ceará, na Serra da Ibiapaba. Logo uma grande roda formou-se debaixo da mangueira, que com sua sombra frondosa nos acolheu no entorno de uma mandala de sementes, folhas, flores e frutos cuidadosamente montada pela família para encher nossos olhos de encanto e curiosidade.




A mandala teve um propósito: Chico a utilizou para nos indagar sobre o que entendemos sobre agroecologia, que espécies e culturas conhecíamos, quais fazem parte das nossas realidades locais e o que tínhamos visto que não conhecíamos. Certamente foi um momento muito rico de apresentações e descobertas, em que gerações diferentes puderam expressar seus saberes (saiba mais no quadro - O que foi dito). 

Mandala
Almoçar um baião de fava, com salada de alface, tomate cereja, batata,  galinha caipira e suco de ata, parecia que ia nos deixar sonolentos para percorrer as áreas do sítio, mas foi como combustível animador.


O clima estava mais do que propício a visita, mas não à toa. Certamente o empenho da família em cultivar espécie para reflorestar o local muito contribuiu. Foi a vez do Chico Antonio contar de como, há dez anos, chegou no Recanto e o encontrou totalmente diferente. "Era praticamente monocultivo. Onde é minha casa hoje servia de depósito de agrotóxico. Eu não quis saber de nada daquilo. Foi um trabalho árduo, de conhecer as espécies, de experimentar manejos, de observar as mensagens que a própria natureza dava", disse ele.

Chico Antonio mostra as espécies cultivadas em seu sítio
Entre Jaqueiras e abacateiros, novamente Chico Antonio nos encantou com seu conhecimento e amor pela terra. A começar pela substituição das "covas é onde a gente enterra algo morto. A gente fala é berço germinativo, que é onde vão nascer bons frutos", disse ele. Na caminhada pelo sítio, pudemos perceber nitidamente as mudanças nas áreas não roçadas, onde o mato cresce como cobertura de proteção do solo, mantendo-o úmido. Perguntas não faltaram,  numa aula de campo necessária para a promoção da agroecologia.

Da serra pro sertão, há diferenças,
mas há semelhanças também...


Visita ao sítio do seu João e dona Graça

...que foram comprovadas na visita ao sítio do seu João e dona Graça, na comunidade Areia Branca. A família se completa com o filho, Eduardo, que foi educando da EFA Ibiapana e que também contribui com seus conhecimentos na área. Seu João falou com entusiasmo sobre agroecologia e de como vem participando dos debates. "Eu fui pro IV ENA e lá percebi que não existe diferença no amor dos agricultores pela terra. Pode ter formas diferentes de plantio, culturas diferentes, tipos de solos diferentes, mas a responsabilidade e respeito pela terra é o mesmo", disse o agricultor.

Seu João mostra sua mandala, onde cria peixes e patos.
Lá pudemos ver as tecnologias da cisterna calçadão, bioágua, canteiros produtivos e a Casa de Sementes. Foi nesse espaço que conversamos sobre a preservação das sementes crioulas que nos são passadas há gerações e de sua importância para o ecossistema.


Casa de Sementes da comunidade Areia Branca
Foi uma experiência mais que sensorial, de troca de saberes e sabores: mas também de unir os afetos, olhares e perspectivas para um mundo compartilhável. O fato é que visitar outras realidades nos traz sentimentos diversos, seja de comparação com o que estamos realizando, seja com o que ainda está por vir. 



Vale lembrar que contamos com o apoio da Espaf, representada por Elviro que, além de gentilmente nos acompanhar nas duas visitas, nos certifica que somente através da coletividade, da união e parceria, podemos fortalecer nossas lutas. 


Sigamos...


O que foi dito...

"Agroecologia é um movimento harmônico de saúde, bem estar, afeto, alegria, respeito ao meio ambiente e às pessoas... É uma junção de saberes que se direcionam a tudo o que é bom". Chico Antonio – Agricultor, voluntário da EFA Ibiapaba, está escrevendo seu TCC sobre suas experiências com SAF – Sistema Agroflorestal.

"Nem todas as pessoas hoje tem a oportunidade de consumir alimentos saudáveis, com base agroecológica. Por isso é tão importante encontros como esse, que nos faz pensar sobre como aplicar nossos conhecimentos para que outras pessoas tenham essa oportunidade" Josimar Galdino – Técnico da Obas

"Aprender mais sobre o que o campo tem a nos oferecer." Luan - Aroeiras/Aracati
"Buscar e compartilhar conhecimentos é o que nos move e nos encanta na agroecologia". Jorge Pinto - coordenação da Obas

"Eu só sei viver da agricultura. Eu planto mandioca, milho, feijão... A gente sempre espera ter uma vida melhor, com saúde. Mas aí a gente não pode usar veneno, né?" José Félix - Aroeiras

 "Olhar para mandala é perceber todo o ciclo de produção. A semente no centro, depois as folhas, flores, frutos... E depois a semente novamente dentro do fruto. É a representação da vida." Samia - Técnica da Obas

"Me sinto privilegiada pela conquista da cisterna, mas não por ela só, mas pelos conhecimentos que a gente adquire. É possível viver sem agrotóxico, sim! Por isso é importante esses intercâmbios pra gente entender outras realidades e pra nos alertar, pra gente saber o que produzir e consumir o que a gente produz". Nilca, agricultora Aroeiras/Aracati

"A Agroecologia é libertadora. Nos fala sobre resgate das sementes crioulas, dos bancos de sementes, das relações humanas, de responsabilidade e confiança. É preciso reconhecermos nosso compromisso com a terra, com a gente e com as pessoas" Renata, estudante de Agrononomia na Unilab e estagiária na Obas

"Agroecologia é vida. O ciclo da mandala nos comprova a continuidade da vida". Ezequias Frota - técnico da Obas

"Agroecologia é questão de vida. A ultima extremidade somos nós, que dependemos dela" Natália Silva - técnica da Obas
"O caju é a nossa riqueza lá em Aracati. A gente passa o ano esperando. Sou feliz no meu interior, mesmo não tendo tanta diversidade de plantas. Mas o que a gente tem é bem cuidado". Edilene - agricultora, Aracati

"Se a gente não plantar o que consumimos, muito vai mudar nos nossos hábitos. Muito vai se perder" Silvanio Jr - Jovem agricultor, Aroeiras

"Eu fico observando as histórias e acho que tem tudo a ver usar a informática a favor da agroecologia. Eu penso em estudar agronomia um dia" Gabriel, jovem da comunidade Aroeiras

"Existem diversas maneiras de ajudar o planeta, de ter uma boa convivência, de não poluir, de não pensar só em si. Temos que perceber esse dilema para além do nosso Ceará. É uma questão de mundo". Manuela - Aroeiras

"Agroecologia é modo de vida, perspectiva do comportamento, da felicidade, da saúde e do respeito" Chico Antonio

"As sementes germinam, vem as flores, os frutos... Quem mora no campo tem absorvido muito produto industrializado, desvalorizando o que nossos pais e avós produziam. As novas gerações tem pouco interesse e conhecimento do que a agricultura saudável tem a nos trazer" Rosana - Aroeiras

"Diversidade sem veneno. É possível levar uma vida organizada, saudável e feliz com a agroecologia" Adilton Morais - técnico da Obas



 Ricardo Wagner - comunicador popular pela Obas






quarta-feira, 4 de julho de 2018

Lançamento do Candeeiro celebra a agroecologia e a vida

Dona Angélica durante o lançamento do Candeeiro e banner

Ontem foi dia de muitas comemorações para a família da dona Angélica. Logo pela manhã, ela recebeu em sua casa, na comunidade Pau Pereira, em Chorozinho, agricultoras e agricultores que receberão cisternas calçadão do P1+2 – Programa Uma Terra e Duas Águas.


Famílias do município de Aracati que receberão as cisternas calçadão e enxurrada do P1+2
Sempre com um sorriso acolhedor, dona Angélica, seu Francisco, suas filhas e filhos nos falaram da satisfação em nos receber para compartilhar a alegria pelas conquistas mais recentes e para isso foi preciso voltar um pouquinho no tempo.


Projeto do Reuso das Águas, recém instalado



Há três meses, a equipe de comunicação da Obas participou da formação do Projeto Reuso das Águas Cinzas, com cerca de 19 participantes, e a noite, ao redor da fogueira montada em frente ao alpendre da casa, teve a oportunidade de ouvir os relatos de dona Angélica e seu Francisco. 


Seu Francisco mostra o canteiro que produziu 40kg de alimentos para o PAA

A trajetória do casal perpassa por situações de dificuldade, mas que a união e diálogo prevaleceram como estratégias de resistência. Para estimular a participação da comunidade nos projetos, dona Angélica utiliza suas práticas agroecológicas como estratégia de mobilização. 







Ozelina, filha de dona Angélica, mostra os canteiros com mudas.

A família faz questão de apresentar aos visitantes cada canto da propriedade e quais tecnologias já conseguiram implementar e as mudanças positivas que se instalou em suas vidas.






E ontem foi a data escolhida pela equipe da Obas para fazer o lançamento da edição número 2332 do Candeeiro, boletim informativo da ASA que conta histórias exitosas do semiárido como a de dona Angélica, que não poderia ficar de fora.


Distribuição dos Candeeiros

Após a acolhida às famílias, ter contado sua história, ter ensinado diversas receitas caseiras baseadas na sua farmácia viva, dona Angélica foi surpreendida com a notícia de que o Candeeiro com a sua história estava pronto e seria entregue naquele momento. Alegria da família irradiou o ambiente. Mas as emoções não foram apenas pra dona Angélica: fomo surpreendidos com a notícia de que era o aniversário do seu Francisco e que com apenas três meses de concluída a tecnologia do reuso da água, a família já tinha colhido 40 kg de cheiro verde e fornecido para o PAA – Programa de Aquisição de Alimentos!
Hora de cantar os parabéns para o seu Francisco
Seguindo a linha de receitas, podemos concluir que salpicar em nossas vidas umas pitadas de perseverança, luta, fé e bom humor, teremos como alimento fortificante e saudável o bem viver.



P1+2 – Programa Uma Terra e Duas Águas - financiado pela Asa e executado pela Obas, o programa beneficia famílias agricultoras com tecnologias sociais de captação da água da chuva para produção de alimentos e criação de pequenos animais, e acontece em todo o semiárido brasileiro. Nessa etapa, serão 186 famílias beneficiadas com cisternas calçadão e de enxurrada.

Projeto Reuso das Águas Cinza – É um projeto piloto, financiado pelo Governo do Estado do Ceará, através da SDA – Secretaria de Desenvolvimento Agrário. A tecnologia social conscientiza sobre a importância do uso consciente da água e sua reutilização, através do armazenamento e manejo da água descartada do banho, lavatórios e pias, que passam por um processo de descontaminação para serem utilizadas na irrigação e produção de alimentos. Quarenta famílias serão beneficiadas com essa tecnologia social.


                                                                      Por Ricardo Wagner – Comunicador popular pela Obas




quarta-feira, 20 de junho de 2018

Obas realiza Oficina de Conversa Desenhada na EFA Jaguaribana





Hino da EFA Jaguaribana
Escola Família Agrícola
Lugar de paixão e cidadania
Contemplar a terra
E a natureza
Se apaixonar pela vida  e a beleza
Cultivar a terra e guardar a criação
Essa é a nossa missão
Escola família agrícola
Lugar de paixão e cidadania
A luta da justiça e da igualdade
Preservar a vida e a biodiversidade
Cultivar a terra e guardar a criação


Essa é a nossa missão 
EFA Jaguaribana
Zé Maria do Tomé
Com coragem amor e fé
Na luta por terra e água
Viver a Agroecologia e conviver com o semiárido
Essa é a nossa missão








Quando se fala em educação no meio rural, estamos habituados a ouvir histórias de jovens que encerram seus sonhos logo ao concluir o ensino médio. São vários os fatores para a evasão escolar, desde o fechamento das escolas rurais até o sonho do primeiro emprego, atrelado à independência financeira e ajudar os pais. Entretanto, sabemos que a educação no campo e para o campo tem contado com um importante instrumento: a EFA ou Escola Família Agrícola.
Em 2016, quando soubemos que nasceria uma EFA em Tabuleiro do Norte, logo vieram expectativas e sonhos de como colaborar com essa modalidade de educação, que se baseia na pedagogia da alternância, focando na Agroecologia, é mergulhar num universo de possibilidades. Vamos conhecer um pouco da trajetória da EFA Jaguaribana Zé Maria do Tomé, localizada na comunidade Currais, em Tabuleiro do Norte, Ceará.

Educação no campo e para o campo


 Thiago Valentim - agente da CPT -Comissão Pastoral da Terra e presidente da Associação Família Agrícola Jaguaribana.  
Segundo Thiago Valentim, “a ideia de criar a EFA em Tabuleiro surgiu a partir da experiência com a EFA Dom Fragoso, em Independência, que já existe há 16 anos. “Em março de 2016, criamos um grupo formado por lideranças comunitárias, professoras/es, presidentes de associação, sindicatos, representantes da paróquia local e trabalhadores rurais, que chamamos de “núcleo de origem”  e iniciamos o processo. A nossa proposta pedagógica é bem parecida com as outras EFA’s, que são escolas comunitárias, de nível médio, integradas ao técnico em agropecuária. No nosso caso, uma escola fundamentada na Agroecologia. A metodologia é baseada na pedagogia da alternância, onde os/as educandos/as não saem das suas realidades: passam 12 dias na escola e 18 dias em casa. Na escola, participam do processo de formação que inclui as disciplinas da Base Comum do Ensino Médio, as disciplinas do curso Técnico em Agropecuária, e uma série de atividades transversais como oficinas, debates, mini cursos, rodas de conversa... E levam atividades para fazer em casa, junto às suas famílias e a comunidade.


“É uma escola que pretende formar esses jovens para que continuem no campo, a partir de um projeto que chamamos de Agroecologia. Serão  profissionais com uma formação diferenciada, um técnico que se integra aos saberes dos agricultores familiares na região” Thiago Valentim




A primeira turma é formada por 12 jovens da zona rural, embora alguns sejam da zona urbana. Tem jovens de Potiretama, Iracema, Russas e Tabuleiro do Norte. O importante é que demonstrem interesse pela realidade camponesa, que se adequem a metodologia da escola, que se adaptem à convivência com outros jovens no mesmo espaço. Além dos jovens, os pais ou responsáveis precisam estar comprometidos, afinal o próprio nome da escola já diz isso.“Nossa estrutura ainda não comporta uma turma maior. Temos como desafio para o próximo ano, uma nova turma, pela visibilidade que a escola vem alcançando através da divulgação que os educandos/as atuais vem fazendo”, disse Thiago.


“A EFA não é uma escola fechada. Nossa articulação na região se soma à pluralidade das lutas e aos muitos desejos para que a agroecologia seja um projeto consolidado. E a gente vai descobrindo a cada dia as formas de contribuir para um semiárido mais solidário, vivo e feliz.” Thiago Valentim





Manter uma escola não é fácil. E a EFA Jaguaribana sobrevive de doações financeiras, de alimentação, de materiais escolares e didáticos. A comunidade dos Currais tem participado bastante dos mutirões, assim como município de Limoeiro e organizações da sociedade civil. E não podemos deixar de citar as/os professoras/es e colaboradoras/es que de forma voluntária doam seus tempos, conhecimentos e muito amor.


Uma rede de punhos fortes

A cada 2 meses, a Rede das EFA´s reúne sua equipe para planejar estratégias que envolvam a juventude e a comunidade para além das ações cotidianas da escola, partindo da formação da juventude em Agroecologia, para enfrentar o esvaziamento do campo provocado pelo agronegócio, pela mineração, o fechamento das escolas rurais, entre outros temas, e também para que as famílias desses jovens percebam outras formas de produzir , gerar renda e ter qualidade de vida.


Bora desenhar o que a gente conversou?
Alisson Chaves fala sobre a trajetória da EFA Jaguaribana
No final de semana passado, a juventude educanda da EFA recebeu o comunicador popular da Obas, Ricardo Wagner, para trocar ideias sobre facilitação gráfica, ou conversa desenhada. A atividade é uma das muitas que virão, focando na comunicação popular como ferramenta de expressão e divulgação de temas como agroecologia, convivência com o semiárido, gênero, direitos humanos entre outros. 




A metodologia é bem simples: aborda-se a comunicação no contexto histórico, suas modalidades e instrumentos e elege-se um tema para a Conversa Desenhada. A trajetória da EFA foi escolhida para que se tenha um registro histórico. Daí, a partir de vídeos, dinâmicas e de uma cartilha que contempla algumas técnicas de desenho, a turma pode exercitar a metodologia.

Com o apoio do comunicador popular da EFA - Alisson Chaves, que fez o resgate histórico do surgimento da EFA, duas equipes mistas foram formadas e a criatividade correu solta, traçando uma linha do tempo com muito humor e atenção aos detalhes. 

E as trajetórias individuais? Vamos conhecer?

Sahmara cuidando do jardim da EFA
Com voz e semblante tranquilo, Sahmara é uma das educandas da primeira turma da EFA. Nascida em Tabuleiro do Norte, filha de agricultores e com um irmão adolescente, a jovem nos conta que soube da escola através de amigos. “Eu tava com o meu companheiro e aí um amigo começou a falar sobre a EFA. Nossa... Foi uma visão totalmente diferente das escolas convencionais. Aí eu me interessei e fui buscar mais informações no site da EFA. Depois da inscrição, foi só ansiedade pra começar”. 

“Sim! Nós mulheres podemos decidir o que queremos ser”.
Sahmara – 25 anos, educanda da EFA Jaguaribana
Sahmara falou que nunca tinha participado de grupo de jovens, mas já conversava com amigas sobre feminismo, direitos, juventude, relacionamentos...  “Eu já tinha uma noção. Mas Agroecologia eu nunca tinha ouvido falar. Pra mim é tudo novo”. Sua trajetória parece com a de muitas jovens camponesas: “Eu venho de escola pública e tinha feito até o primeiro ano do ensino médio, em 2012. Eu parei pra começar a trabalhar e ajudar meus pais. Eu já viajei muito, morei noutras cidades... Mas me arrependi muito de ter parado de estudar. Agora eu voltei porque meus pais e meu companheiro me incentivaram, principalmente quando souberam que o ensino tinha a ver com a agricultura. Minha mãe gostou muito de saber que a escola fica numa comunidade próxima onde eu moro... A cada sessão, ela fica perguntando o que eu tô aprendendo...” afirmou a jovem.

Sahmara continua levando sua vida como antes, mas agora com outro olhar para o futuro. “Eu tinha o desejo de fazer uma faculdade relacionada à estética. Agora que eu conheci a EFA, quero algo mais voltado pra natureza, ser uma bióloga... E quando eu falo para as minhas amigas sobre a EFA, elas perguntam: Ah... Vocês ficam lá capinando? As mulheres tem privacidade? Elas acham que a gente fica só trabalhando em roçado. Aí eu vou explicar que a gente estuda as matérias convencionais, estuda agroecologia, espanhol  e elas ficam surpresas. Eu digo que a gente põe a mão na massa, sim, mas com orgulho. A gente tá expandindo a nossa escola, deixando ela com a  nossa cara. Eu convido minhas amigas e suas famílias pra nos visitar. Todo mundo é bem vindo aqui! Além de uma escola, a EFA é nossa casa!” disse sorridente.


Arte e educação a serviço da Agroecologia


Paulo Vitor, cuida da horta da escola
No auge das descobertas e questionamentos, Paulo Vitor, de 16 anos - se revela atento às coisas do mundo. Natural de Tabuleiro do Norte, o jovem nos falou sobre os motivos de procurar a EFA para ampliar seus conhecimentos. “Eu soube da EFA com um amigo, o Alisson. Eu me interessei porque não é uma escola convencional. A gente aprende sobre a natureza tendo o contato com ela, e ainda cria uma nova família, pois a gente chega e não conhece ninguém. Eu não sou filho de agricultores, mas tenho uma identidade muito forte com a terra. Minha origem é muito urbana, mas eu sempre gostei de estar nos rios, de acampar nesse local que hoje é a EFA... mas eu não tinha contato com ninguém que falasse sobre Agroecologia”.

Fã do clássico Laranja Mecânica, Paulo diz ter uma boa relação com as artes, em especial com a música e a literatura. Autodidata, aprendeu a tocar violão sozinho e confessa que sua timidez atrapalha um pouco nesse aspecto. “Aqui tô me soltando mais, porque tudo é debatido de forma respeitosa. E eu acredito que a música pode contribuir de alguma forma com o que a gente aprende na escola, pois falamos de agroecologia,direitos humanos, LGBTT’s, os movimentos sociais... Minha perspectiva é fazer uma faculdade de agronomia, trabalhar na área... Aqui na EFA a gente desperta para ser um humano melhor e atuar em áreas que a gente nem imaginava”.


Fogueira e histórias de “malassombro”




Só faltou o milho e a batata para assar na fogueira, montada debaixo de um pé de oiticica, ao lado da escola. Logo após o jantar, a turma reuniu-se, embalada pelo violão do Paulo Vitor e surgiram as prosas ouvidas na infância, onde os pais e avós contavam sobre causos engraçados ou assustadores. Passeamos entre caiporas, “visages” e assombrações, tudo com muito humor e alguns sustos provocados pelo vento na mata. Mas nada impediu que tivéssemos um excelente sono na varanda, onde soprou uma brisa fina.


A manhã seguinte foi para concluir as ilustrações e fazer o resgate memorial. As equipes fizeram suas considerações e avaliação da metodologia e sugeriram como encaminhamento, que o próximo módulo de comunicação aborde um vídeo em stopmotion ou Time lapse. Pelo visto, nossos laços se fortalecem e a educação contextualizada se consolida como um dos caminhos para a Agroecologia.

Sigamos...


Ricardo Wagner – Comunicador popular pela Obas